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Estudo da Universidade de Adelaide analisa se edulcorantes de baixo teor calórico influenciam o risco de diabetes

Cientista em laboratório analisa copo de água com modelo digital do intestino grosso sobre mesa.
Neste artigo
  1. Cinco edulcorantes estarão no foco da investigação
  2. Intestino, pâncreas e rins serão analisados
  3. Resultados poderão ajudar a prevenir a diabetes

Presentes em refrigerantes sem açúcar, iogurtes, sobremesas e vários alimentos industriais, os edulcorantes de baixo teor calórico são consumidos diariamente por milhões de pessoas como substitutos do açúcar. Um novo estudo procura agora esclarecer uma questão que continua a dividir a comunidade científica: poderão estes produtos afectar o metabolismo e alterar o risco de desenvolver diabetes?

Investigadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, começaram a recrutar voluntários para analisar de que forma os edulcorantes mais consumidos a nível mundial actuam no organismo humano. A investigação pretende perceber se estas substâncias influenciam os mecanismos envolvidos no controlo da glicose e na saúde metabólica.

Cinco edulcorantes estarão no foco da investigação

O estudo irá examinar cinco dos principais substitutos do açúcar actualmente utilizados:

  • Aspartame;
  • Estévia;
  • Sucralose;
  • Sacarina;
  • Acessulfame de potássio.

Estes ingredientes estão presentes numa grande diversidade de produtos consumidos no dia-a-dia, sobretudo em alimentos e bebidas identificados como diet, light ou sem adição de açúcar.

Os investigadores procuram determinar se cada um destes edulcorantes desencadeia respostas distintas no organismo e se existem efeitos específicos associados ao metabolismo da glicose.

Intestino, pâncreas e rins serão analisados

A investigação centrará a sua análise em órgãos essenciais para a regulação do açúcar no sangue, incluindo o intestino, o pâncreas e os rins.

A microbiota intestinal, composta por biliões de microrganismos com um papel fundamental na digestão, na imunidade e na regulação metabólica, será outro dos elementos em avaliação.

Os cientistas querem apurar se os edulcorantes alteram este equilíbrio e, caso isso se verifique, se essas mudanças podem afectar processos relacionados com o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Segurança não equivale à ausência de efeitos metabólicos

Os especialistas envolvidos sublinham que todos os edulcorantes avaliados foram aprovados pelas entidades reguladoras e continuam a ser considerados seguros quando ingeridos dentro dos limites recomendados.

Contudo, explicam que a segurança toxicológica de uma substância não é o mesmo que a inexistência de eventuais efeitos nos mecanismos complexos do metabolismo humano.

Estudos realizados nos últimos anos levantaram a hipótese de alguns edulcorantes poderem interferir na libertação de hormonas relacionadas com o apetite, a digestão e o controlo da glicose. Ainda assim, a evidência disponível é considerada insuficiente para permitir conclusões definitivas.

Resultados poderão ajudar a prevenir a diabetes

O estudo assume particular relevância numa altura em que a diabetes tipo 2 continua a aumentar em todo o mundo. Uma vez que o excesso de peso constitui um dos principais factores de risco para a doença, muitas pessoas optam por substituir o açúcar por edulcorantes, numa tentativa de reduzir as calorias e melhorar a alimentação.

Os investigadores esperam que os resultados ajudem a compreender melhor a forma como estas substâncias actuam no organismo e se alguns edulcorantes têm efeitos diferentes sobre o metabolismo.

Se forem detectadas alterações relevantes, as conclusões poderão contribuir para melhorar as recomendações nutricionais e para criar estratégias mais eficazes de prevenção e controlo da diabetes.

Enquanto não surgirem novas evidências, os especialistas reforçam que uma boa saúde metabólica continua a assentar numa alimentação equilibrada, rica em alimentos naturais e pouco processados, combinada com actividade física regular e outros hábitos saudáveis.

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Margarida Leal

Margarida Leal é gastrónoma e comunicadora especializada em cozinha portuguesa, produtos do mar e valorização da gastronomia costeira. Interessada em receitas de polvo, marisco e tradições culinárias nacionais, partilha conteúdos sobre ingredientes, técnicas de preparação e experiências à mesa.

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