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Hadoque: o peixe magro, nutritivo e pobre em mercúrio

Funcionária a organizar peixes frescos sobre gelo num balcão de marisco com limões e ervas aromáticas.
Neste artigo
  1. Porque é que o hadoque é atualmente tão interessante
  2. O verdadeiro perfil nutricional do hadoque
  3. Menos mercúrio: porque é considerado uma “escolha segura”
  4. Hadoque ou bacalhau - qual é a opção mais sensata?
  5. Como reconhecer hadoque de boa qualidade à venda
  6. Como o hadoque se destaca na cozinha
  7. Com que frequência pode o hadoque ir para o prato?
  8. O que fazem no organismo o selénio, o ómega‑3 e outros nutrientes
  9. Riscos que continuam a merecer atenção

Quem pretende fazer escolhas alimentares mais conscientes acaba, mais cedo ou mais tarde, por considerar o peixe. Ao mesmo tempo, as notícias sobre metais pesados, sobrepesca e problemas na aquacultura geram insegurança. Uma espécie está agora a merecer maior atenção por parte de especialistas em nutrição: o hadoque. É considerado leve, rico em nutrientes e, sobretudo, muito pobre em mercúrio - e já se encontra há muito nos supermercados, embora poucas pessoas o escolham de forma intencional.

Porque é que o hadoque é atualmente tão interessante

Tal como o conhecido bacalhau, o hadoque pertence à família dos gadídeos. Embora tenha um aspeto pouco chamativo, destaca-se do ponto de vista nutricional, especialmente para quem procura uma alimentação com controlo de calorias ou mais favorável ao coração.

“O hadoque fornece muita proteína, quase nenhuma gordura e está entre os peixes com menor carga de mercúrio - ideal para quem quer comer peixe, mas pretende limitar os riscos.”

Eis as suas principais vantagens:

  • Muito magro: menos de 1 grama de gordura por 100 gramas de peixe
  • Proteína de elevada qualidade: de digestão fácil e com todos os aminoácidos essenciais
  • Vitaminas do complexo B: sobretudo B12 e niacina (B3)
  • Muito selénio: contribui para o sistema imunitário e para a tiroide
  • Pouco mercúrio: é classificado pelas autoridades entre as “melhores escolhas”

Para quem quer diminuir o consumo de carne vermelha, o hadoque é uma alternativa particularmente adequada. Substitui a proteína animal proveniente de bifes ou enchidos, mas contém muito menos gordura saturada e colesterol.

O verdadeiro perfil nutricional do hadoque

No dia a dia, não bastam expressões apelativas: os números também contam. No caso do hadoque, os valores nutricionais habituais por 100 gramas (cru, sem pão ralado) são aproximadamente os seguintes:

Nutriente Quantidade por 100 g Observação
Calorias cerca de 75–85 kcal claramente menos do que a maioria das carnes
Proteína cerca de 18–20 g elevado valor biológico
Gordura menos de 1 g muito magro, ideal em dietas de redução de peso
Selénio muito elevado componente importante para as defesas imunitárias e a tiroide
Fósforo elevado contribui para a saúde dos ossos e dos dentes
Ácidos gordos ómega‑3 moderado menos do que o salmão, mas nutricionalmente valioso

O hadoque cria, assim, uma ponte entre diferentes necessidades: não é tão gordo como o salmão ou a cavala, mas fornece ómega‑3 suficiente para influenciar positivamente os valores de gorduras no sangue e os processos inflamatórios. Em simultâneo, mantém um baixo teor calórico - algo particularmente valorizado por pessoas pouco ativas ou com excesso de peso.

Menos mercúrio: porque é considerado uma “escolha segura”

O mercúrio chega à cadeia alimentar através do ar e da água, acumulando-se nos peixes. Quanto maior e mais velho for o peixe, e quanto mais alto estiver na cadeia alimentar, maior tende a ser a contaminação. Por isso, grandes peixes predadores, como o peixe-espada, o tubarão ou algumas espécies de atum, apresentam resultados bastante menos favoráveis.

Com o hadoque, a situação é diferente:

  • Mantém um tamanho comparativamente pequeno.
  • Não tem uma longevidade extrema.
  • Alimenta-se sobretudo de pequenos organismos do fundo marinho, e não de grandes peixes como presas.

Por estas razões, o mercúrio dificilmente se acumula no seu organismo. Estudos de entidades oficiais, como a autoridade norte-americana de segurança alimentar FDA, classificam o hadoque como um peixe que até crianças e grávidas podem consumir regularmente, sem atingir os limites de consumo.

“Para grávidas, mulheres a amamentar e crianças pequenas, o hadoque e outros gadídeos magros estão entre os peixes que menos frequentemente apresentam metais pesados problemáticos.”

Isto é especialmente relevante numa altura em que muitos pais eliminam quase por completo o peixe das refeições por receio de contaminantes. O hadoque permite aproveitar os benefícios do peixe do mar sem ter de pensar constantemente em listas de alerta.

Hadoque ou bacalhau - qual é a opção mais sensata?

O bacalhau é um clássico em Portugal. É presença habitual em restaurantes e refeições preparadas, e o seu nome é familiar. Ainda assim, a comparação direta com o hadoque é mais equilibrada do que muitas pessoas imaginam.

Pontos em comum

  • Ambos pertencem à mesma família de peixes.
  • Ambos são muito magros e pouco calóricos.
  • Ambos fornecem muita proteína e vitaminas B.
  • Ambos são excelentes para pratos leves, por exemplo cozinhados a vapor ou no forno.

Diferenças

Apesar da proximidade, há alguns pormenores interessantes que podem dar uma pequena vantagem ao hadoque:

  • Selénio e potássio: o hadoque tende a conter um pouco mais destes nutrientes do que o bacalhau do Atlântico.
  • Teor de gordura: muitas vezes, o hadoque é ainda ligeiramente mais magro.
  • Textura: a carne é um pouco mais fina e apresenta filetes menores.
  • Sabor: suave, com uma ligeira nota adocicada - mais agradável para muitas pessoas que não apreciam um sabor intenso a peixe.

“Quem gosta de bacalhau pode quase sempre usar hadoque numa substituição direta - no prato acabado, muitos mal notam diferença, e alguns consideram-no até mais tenro.”

Como reconhecer hadoque de boa qualidade à venda

Na zona refrigerada, o hadoque surge frequentemente identificado apenas como “filete de hadoque” ou integrado em embalagens mistas com outros peixes do mar. Ao comprar, vale a pena ter em conta alguns aspetos, para que os benefícios para a saúde não se percam num banho de gordura:

  • Prefira-o ao natural, sem pão ralado nem marinadas pesadas.
  • Verifique a zona e o método de captura - indicações de pesca sustentável são uma mais-valia.
  • O produto congelado permite planear as refeições e reduzir o desperdício alimentar.
  • No peixe fresco, faça o teste do cheiro: deve ser neutro ou ligeiramente marítimo, nunca intenso ou picante.

Quem valoriza a sustentabilidade deve procurar especificamente selos como o MSC na embalagem. Estas certificações não garantem perfeição absoluta, mas indicam que as quotas de captura e os stocks são monitorizados.

Como o hadoque se destaca na cozinha

Muitas pessoas escolhem salmão quase automaticamente por o considerarem “fácil”. Porém, o hadoque é pelo menos tão simples de preparar, desde que se respeitem alguns princípios básicos:

  • Cozinhar suavemente: cozer a vapor, estufar ou assar a temperaturas moderadas ajuda a preservar a carne delicada.
  • Pouca gordura é suficiente: basta uma colher de chá de óleo ou uma pequena noz de manteiga; este peixe não precisa de mais.
  • Temperos: sumo de limão, ervas frescas e um pouco de alho costumam bastar.
  • Acompanhamentos: legumes assados, batatas, arroz ou lentilhas combinam na perfeição.

O sabor suave também torna o hadoque indicado para refeições infantis. Em bolinhas de peixe, gratinados ou como filete cozinhado em papel vegetal, evita-se o choque de aroma intenso a peixe que afasta muitas crianças.

Com que frequência pode o hadoque ir para o prato?

As associações de nutrição aconselham, geralmente, uma a duas refeições de peixe por semana, incluindo pelo menos uma de peixe gordo do mar, rico em ómega‑3, como salmão ou arenque.

O hadoque enquadra-se bem neste padrão:

  • Como fonte magra de proteína num ou mais dias por semana.
  • Em conjunto com um peixe mais gordo noutro dia, para aumentar a ingestão de ómega‑3.
  • Para pessoas com níveis elevados de gorduras no sangue ou risco cardiovascular que pretendem diminuir a gordura total da alimentação.

Em particular, quem foi incentivado pelo médico a alterar a alimentação devido ao colesterol ou ao excesso de peso beneficia ao trocar mais frequentemente a carne vermelha por hadoque ou outros peixes magros do mar.

O que fazem no organismo o selénio, o ómega‑3 e outros nutrientes

À primeira vista, muitos nutrientes presentes no hadoque podem parecer conceitos abstratos. No entanto, estão associados a efeitos concretos:

  • Selénio: protege as células do stress oxidativo, apoia o funcionamento da tiroide e pode reduzir a suscetibilidade a infeções.
  • Vitamina B12: desempenha um papel essencial na formação do sangue e na saúde do sistema nervoso; uma deficiência provoca cansaço e falta de energia.
  • Niacina (B3): importante para um metabolismo energético normal e para uma pele saudável.
  • Ácidos gordos ómega‑3: reduzem os níveis de triglicéridos, têm ação anti-inflamatória e apoiam o coração e os vasos sanguíneos.

Quem come carne raramente, mas não segue uma alimentação totalmente vegetariana, pode colmatar eventuais carências de B12 e selénio com peixe magro, como o hadoque, sem acrescentar grandes quantidades de calorias.

Riscos que continuam a merecer atenção

O hadoque não é uma solução sem restrições. Há dois aspetos que permanecem relevantes:

  • Sobrepesca: os stocks variam consoante a região e algumas zonas de captura estão sob pressão. Por isso, importa verificar a origem e o método de pesca.
  • Processamento: em pão ralado, como prato preparado ou num pesado prato de “peixe com batatas fritas”, o peixe perde muitos dos seus benefícios para a saúde sob uma crosta gordurosa.

Ainda assim, quem compra de forma consciente e dá preferência a peixe pouco processado consegue controlar bem estes fatores.

Em suma, o hadoque oferece uma combinação interessante: sabor suave, elevada riqueza nutricional e baixa carga de mercúrio. Para quem até agora evitava peixe por insegurança, representa uma forma simples de diversificar a alimentação - sem pensar em metais pesados a cada garfada.

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Margarida Leal

Margarida Leal é gastrónoma e comunicadora especializada em cozinha portuguesa, produtos do mar e valorização da gastronomia costeira. Interessada em receitas de polvo, marisco e tradições culinárias nacionais, partilha conteúdos sobre ingredientes, técnicas de preparação e experiências à mesa.

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